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Artigo de René Ronse

Os novos produtos “milagrosos” nas redes sociais: uma fraude recorrente

Atualizado em 4 Maio 2026.

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Produto falso milagroso
Todos os dias, as redes sociais inundam os utilizadores com anúncios de supostos produtos “revolucionários”. Cápsulas para emagrecer, cremes anti-envelhecimento ou gadgets de bem-estar: o padrão é sempre o mesmo. O produto surge de repente com campanhas massivas. Testemunhos falsos enchem os comentários. Após alguns meses e muitas críticas, o site desaparece. Pouco depois, o mesmo produto reaparece com outro nome, pronto a enganar mais consumidores.

Como funcionam estas fraudes?

  • Criação de uma marca temporária com site básico, geralmente sediado no estrangeiro.
  • Campanhas agressivas no Facebook, Instagram, TikTok e YouTube.
  • Promessas irreais: emagrecimento rápido, rejuvenescimento imediato, energia ilimitada.
  • Testemunhos falsos, gerados por IA ou interpretados por atores.
  • Ofertas “limitadas” para forçar compras impulsivas.

Esquema: atrair clientes, receber pagamentos, encerrar o site antes dos pedidos de reembolso.

Produtos mais visados

Suplementos para emagrecer e detox

Pílulas que “queimam gordura”, pós “keto”, cápsulas detox… Normalmente ineficazes e por vezes perigosos.

Cremes e séruns anti-idade

“Efeito lifting imediato”, “10 anos mais jovem em 2 semanas”: ilusões sem base científica. Quando chegam reclamações, muda-se o nome.

Gadgets de saúde e bem-estar

Pulseiras energéticas, adesivos milagrosos, cintas adelgaçantes, estimuladores musculares… Produzidos a baixo custo, vendidos a preços altos com publicidade agressiva.

Exemplos de rebranding

Um suplemento “Keto Ultra” passa a chamar-se “Keto Max”. Um creme “Youth Miracle” volta como “Ageless Secret”. Mesmo produto, novo nome.

Porque é que estas fraudes continuam a resultar?

  • Exploram fragilidades humanas: medo de envelhecer, desejo de emagrecer rápido.
  • Fotos “antes/depois” manipuladas mas convincentes.
  • Influenciadores promovem produtos duvidosos sem verificar eficácia.
  • As plataformas não controlam bem a publicidade, permitindo fraude.

Sinais de alerta

  • Promessas como “perder 10 kg numa semana”.
  • Preço em “promoção especial” que nunca muda.
  • Avaliações perfeitas copiadas ou traduzidas automaticamente.
  • Ausência de dados legais ou empresas em paraísos fiscais.
  • Sites que desaparecem em poucos meses.

O problema dos reembolsos

  • Sites desaparecem rapidamente, sem contacto possível.
  • Atendimento ao cliente inexistente ou que nunca responde.
  • Pagamentos por transferência ou cartões sem proteção não oferecem garantias.
  • Consumidores percebem tarde demais que perderam o dinheiro.

Os mesmos produtos, sempre renomeados

Quando acumulam más críticas, retiram o produto e relançam-no com outro nome. Os compradores pensam que é novo, mas é o mesmo.

Como se proteger

  • Pesquisar o nome do produto no Google com “avaliações” ou “fraude”.
  • Evitar compras por impulso devido a publicidade agressiva.
  • Nunca comprar em sites sem dados legais claros.
  • Usar apenas lojas de confiança ou farmácias certificadas.
  • Em caso de dúvida, consultar plataformas como Fraude Ou Fiável.

O papel das redes sociais e influenciadores

A publicidade direcionada atinge os mais vulneráveis. Influenciadores amplificam o engano promovendo produtos duvidosos. Em Portugal, a DECO alerta regularmente, mas muitos continuam impunes.

O que fazer se foi vítima

  • Contacte imediatamente o seu banco para tentar bloquear o pagamento.
  • Denuncie o site à Polícia Judiciária ou à DECO.
  • Partilhe a experiência em fóruns para alertar outros.
  • Vigie os seus movimentos bancários para prevenir fraudes.

Conclusão

Os “produtos milagrosos” que inundam as redes sociais são armadilhas de marketing. O ciclo é sempre o mesmo: lançamento massivo, críticas, desaparecimento, reaparecimento com novo nome. Regra de ouro: se parece bom demais para ser verdade, provavelmente é fraude.


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