Artigo de René Ronse
Os novos produtos “milagrosos” nas redes sociais: uma fraude recorrente
Atualizado em 19 Setembro 2025.


Todos os dias, as redes sociais inundam os utilizadores com anúncios de supostos produtos “revolucionários”. Cápsulas para emagrecer, cremes anti-envelhecimento ou gadgets de bem-estar: o padrão é sempre o mesmo. O produto surge de repente com campanhas massivas. Testemunhos falsos enchem os comentários. Após alguns meses e muitas críticas, o site desaparece. Pouco depois, o mesmo produto reaparece com outro nome, pronto a enganar mais consumidores.
Como funcionam estas fraudes?
- Criação de uma marca temporária com site básico, geralmente sediado no estrangeiro.
- Campanhas agressivas no Facebook, Instagram, TikTok e YouTube.
- Promessas irreais: emagrecimento rápido, rejuvenescimento imediato, energia ilimitada.
- Testemunhos falsos, gerados por IA ou interpretados por atores.
- Ofertas “limitadas” para forçar compras impulsivas.
Esquema: atrair clientes, receber pagamentos, encerrar o site antes dos pedidos de reembolso.
Produtos mais visados
Suplementos para emagrecer e detox
Pílulas que “queimam gordura”, pós “keto”, cápsulas detox… Normalmente ineficazes e por vezes perigosos.
Cremes e séruns anti-idade
“Efeito lifting imediato”, “10 anos mais jovem em 2 semanas”: ilusões sem base científica. Quando chegam reclamações, muda-se o nome.
Gadgets de saúde e bem-estar
Pulseiras energéticas, adesivos milagrosos, cintas adelgaçantes, estimuladores musculares… Produzidos a baixo custo, vendidos a preços altos com publicidade agressiva.
Exemplos de rebranding
Um suplemento “Keto Ultra” passa a chamar-se “Keto Max”. Um creme “Youth Miracle” volta como “Ageless Secret”. Mesmo produto, novo nome.
Porque é que estas fraudes continuam a resultar?
- Exploram fragilidades humanas: medo de envelhecer, desejo de emagrecer rápido.
- Fotos “antes/depois” manipuladas mas convincentes.
- Influenciadores promovem produtos duvidosos sem verificar eficácia.
- As plataformas não controlam bem a publicidade, permitindo fraude.
Sinais de alerta
- Promessas como “perder 10 kg numa semana”.
- Preço em “promoção especial” que nunca muda.
- Avaliações perfeitas copiadas ou traduzidas automaticamente.
- Ausência de dados legais ou empresas em paraísos fiscais.
- Sites que desaparecem em poucos meses.
O problema dos reembolsos
- Sites desaparecem rapidamente, sem contacto possível.
- Atendimento ao cliente inexistente ou que nunca responde.
- Pagamentos por transferência ou cartões sem proteção não oferecem garantias.
- Consumidores percebem tarde demais que perderam o dinheiro.
Os mesmos produtos, sempre renomeados
Quando acumulam más críticas, retiram o produto e relançam-no com outro nome. Os compradores pensam que é novo, mas é o mesmo.
Como se proteger
- Pesquisar o nome do produto no Google com “avaliações” ou “fraude”.
- Evitar compras por impulso devido a publicidade agressiva.
- Nunca comprar em sites sem dados legais claros.
- Usar apenas lojas de confiança ou farmácias certificadas.
- Em caso de dúvida, consultar plataformas como Fraude Ou Fiável.
O papel das redes sociais e influenciadores
A publicidade direcionada atinge os mais vulneráveis. Influenciadores amplificam o engano promovendo produtos duvidosos. Em Portugal, a DECO alerta regularmente, mas muitos continuam impunes.
O que fazer se foi vítima
- Contacte imediatamente o seu banco para tentar bloquear o pagamento.
- Denuncie o site à Polícia Judiciária ou à DECO.
- Partilhe a experiência em fóruns para alertar outros.
- Vigie os seus movimentos bancários para prevenir fraudes.
Conclusão
Os “produtos milagrosos” que inundam as redes sociais são armadilhas de marketing. O ciclo é sempre o mesmo: lançamento massivo, críticas, desaparecimento, reaparecimento com novo nome. Regra de ouro: se parece bom demais para ser verdade, provavelmente é fraude.
Artigo de : René Ronse | Directrizes de revisão | Consultores de auditoria
Sobre o autor: René Ronse, responsável pelo site ArnaqueOuFiable.com. Especialista em cibersegurança do consumidor, deteção de fraudes online, transparência de produtos e conformidade digital. Tem mais de 20 anos de experiência na análise de mecanismos de assinatura ocultos, termos e condições ilegíveis, táticas de venda agressivas e práticas comerciais enganosas na web.
Última atualização em 19 Setembro 2025.
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